A HISTÓRIA DO CAMINHO (exotérica).

Segundo a lenda católica, após a dispersão dos Apóstolos pelo mundo, Santiago foi pregar em regiões longínquas, passando algum tempo em Espanha, Galiza. Quando voltou à Palestina, no ano 44, foi preso e decapitado a mando de Herodes Agrippa. Dois de seus discípulos, Teodoro e Atanásio, pegaram no corpo do mestre e embarcaram numa barca pelo mar, numa viagem de sete dias ate a Galiza e a Iria Flávia onde o sepultaram secretamente num bosque de nome Libredón.

Não há certezas quanto à data da descoberta do sepulcro apostólico, mas a maioria das fontes católicas apontam datas entre 813 e 820. A lenda conta que um ermita, de nome Pelaio, no bosque de Libredón observou durante algumas noites uma “chuva de estrelas” sobre um monte do bosque. Avisado das luzes, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou escavações e encontrou uma arca de mármore com os ossos do santo.

Esta associação deu ao Caminho o nome de Caminho das Estrelas e fez com que a chuva de estrelas fosse um dos símbolos do culto Jacobeu, juntamente com a Vieira, a Cabaça e o Bordão.

No “Campus Stellae” – de onde se crê provir a palavra Compostela – foi erigida uma capela para proteger a tumba do apóstolo que se tornou um símbolo da resistência cristã aos ataques dos mouros. A partir do ano 1000 as peregrinações a Santiago popularizam-se, tornando-se a cidade num dos principais centros de peregrinação cristã (a par de Roma e Jerusalém) é também nesta altura que surgem os primeiros relatos de peregrinos que viajaram a Compostela.

Vieira, usada como copo, tinha como função identificar e comprovar a peregrinação a Santiago. Representa de Vénus.

Cabaça, usada como recipiente. Representa o balão hermético.

Bordão, usada no apoio, marcação de ritmo e na defesa contra ataques de animais. Representa as medidas.

No século XII é publicado o primeiro guia do peregrino (do Caminho Francês) – o Códice Calixtino (ou Liber Sancti Jacobi) atribuído ao Papa Calixto II, que proclama o dia 25 Julho, num Domingo, o dia do Santo sendo esse o Ano Santo Jacobeu com especiais bênçãos e privilégios espirituais para os peregrinos.

O Caminho de Santiago, tal como relatado no Códice Calixtino, é em terra o desenho da Via Láctea, porque esta rota se situa directamente sob a Via Láctea que indica a direcção de Santiago, servindo assim, na Idade Média, de orientação durante a noite aos peregrinos. Naqueles remotos tempos, para identificar a rota correta bastava caminhar para o Oeste, onde o sol se punha ao fim das tardes. Pela noite fechada, identificando a estrela polar na Via Láctea bastava para indicar o Norte, ficando fácil continuar progredindo na direção Oeste.

Como a posição da Terra muda em relação aos astros celestes em função da estação do ano (verão, inverno, primavera ou outono), a Via Láctea se apresenta de formas distintas aos peregrinos em cada uma dessas estações. Saber a altura em que a “porta se encontra aberta favorece o beneficio iniciático do Caminho de Santiago.

Ultreya e Suseya.

Ultreya e Suseya eram palavras que apareciam em algumas partes nos hinos do Codex Calixtinus e que os peregrinos iam entoando pelo caminho.

Herru Santiagu,
Got Santiagu,
Eultreia, eususeia,
Deus adiuva nos
.
Oh Senhor Santiago,
Bom Senhor Santiago,
Ultreya, Suseya,
Proteja-nos Deus.

Ultreya (ultreia) era a palavra que os peregrinos usavam entre si para se motivarem e incentivarem. Significa, segue em frente, com fé e perseverança, não desistas, coragem!

Suseya (suseia) é uma saudação e resposta a quem expressou Ultreya. Significa para cima (evolução espiritual), vamos lá, estamos juntos!

Setas amarelas.

Um dos mais importantes historiadores, conservadores e promotores do Caminho foi o Padre Elías, O Cura de Cebreiro. Entre 1961 e 1962 escreveu “El Camino de Santiago. Estudio histórico-jurídico” e em 1984 começou a sinalizar o Camino de Santiago com setas amarelas.

A cor amarela depreende-se com o pedido de caridade por ele feito a uma empresa pública. Esta tendo como função obras na via pública facultou a cor que usava para pintar o asfalto. A cor amarela.

Na década de 80, depois desse árduo trabalho, publicou um guia sobre o Caminho e a partir daí as peregrinações para Santiago ressurgiram.

Pelos seus méritos indiscutíveis foi nomeado Comissário do Caminho de Santiago por unanimidade durante o 1º Encontro de Xacobeo realizado em Compostela em 1985.

Nos seus últimos votos, pediu à família que garantisse o uso a seta amarela como indicação, para que o caminho não fosse perdido. Este é um pedido que seus descendentes atendem, com a ajuda da Associações de Amigos do Caminho de Santiago.

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